Sábado, 26 de Março de 2011

Uma foto da minha Margot

Não resisto...

Hoje, descobri esta foto da minha filha. Uma amiga mandou-a. Não resisto em publicá-la. Está linda como sempre!


Desabafos de alemvirtual às 19:25
link do post | Deixe o seu comentário | favorito
Sexta-feira, 11 de Março de 2011

(da herança que vou legar)

Optar por uma temática nem sempre é fácil. Eleger um assunto que se destaque dos demais, pela gravidade e pertinência, face ao descalabro que, julgamos, ter atingido a sociedade portuguesa começa a ser uma empresa difícil, quase tão difícil quanto a situação das nossas finanças.

Há uns dias, tinha colocado no "papel" umas quantas palavras, no meu habitual "jeito de desabafo". Depois, pelo contexto vivido, optei por fazer dessa reflexão, apenas a minha reflexão.

 

Arrisco um retrato transversal do momento presente, cujas implicações entrelaçam diferentes vectores, como o progresso social, a justiça, a educação, o ambiente e a família.

É sabido que o futuro de um país pode ser previsto no presente dos jovens que forma. Num Portugal, com uma taxa de envelhecimento tão expressiva, é mais que uma tendência, afirmar que o nosso futuro será determinado por um pequena franja populacional.

Não pretendo traçar um retrato demográfico do nosso país. Pretendia traçar o retrato, não de quantos são e onde vivem, mas de como são e como vivem, os jovens de Portugal. Como vivem e como sentem, já que a acção é a forma expressiva e objectiva da individualidade sentida.

Lido com jovens diariamente. E, se à sociedade as reformas dos sistemas de ensino, apenas se fazem sentir em tempos posteriores à sua ocorrência, já às escolas, qualquer alteração social se faz sentir de imediato. Não há hiato, mas uma espécie de acção-reacção. Note-se que, cada aluno é um filho, e este ao vivenciar nas suas células familiares alterações estruturais, afectivas ou relacionais, transporta-as para dentro dos espaços escolares, para o seu ambiente e para a sala de aula. Sendo a família a pedra basilar da sociedade, facilmente se compreende que, desde a primeira hora, as repercussões sociais  passam por cada família em si.

Na sociedade do conhecimento e da cultura pede-se que se eduque no todo, já que educar é, desde há muito, mais que transmitir conhecimentos. Essa mobilização de saberes, culturas e competências agrega-se num curriculum que extravasa o formalmente determinado.

Educa-se para a multiculturalidade, para a igualdade de opotunidades, para o optimismo, para a esperança, para o futuro. Educa-se para a perseverança, para o esforço, para o trabalho e para o mérito. Educa-se para a igualdade, para a tolerância e para a justiça. Educa-se para o progresso, para a mobilidade social, para a retribuição justa do contributo individual, para a investigação, para a criatividade.

São estes muitos dos valores para os quais se educa.

Por isso, o país espera muito dos nossos jovens, porém, permitam-me que legitime a pergunta: que podem os jovens esperar do seu país? E é nesta simples pergunta que se encerra a complexidade da resposta. Com que incentivo de superam obstáculos? Com que motivação se investe nos estudos e na formação? Que emprego e que políticas de emprego e crescimento económico? Que habitação e que incentivos à construção, ao arrendamento, à aquisição e à conservação? Que apoios e prestações sociais? Não apoios que se tornem subsídios perenes e incentivos ao comodismo, à inércia, à estagnação, mas apoios nas situações mais frágeis e desfavorecidas da vida, quando o indivíduo diz ao Estado “este é o momento em que preciso de ti”.

Como constituir família? Com que responsabilidade trazer ao mundo crianças? Que estabilidade social? Que protecção na doença? Que confiança num futuro sustentável? Que ambiente e que políticas ambientais?

Como educar para uma cidadania activa e pró-activa, para a assertividade e para o diálogo, para a tolerância e inclusão, quando os direitos das minorias atropelam os direitos de todos, melhor, quando a ditadura das minorias, pelo medo, pela coacção, pela pressão psicológica, pelo vandalismo encontra eco num fraco e moroso sistema judicial? Como vou educar para a liberdade individual, para a assunção de deveres a par dos direitos consagrados quando sinto a insegurança que grassa no meu bairro e na minha rua? Quando sinto que se "protege" o prevaricador, como posso eu educar para a justiça?

Como educar para a promoção e afirmação da nossa cultura, para a internacionalização do nosso património cultural, ambiental, arquitectónico se me sinto na cauda da Europa?

A educação deve ser consentânea com a sociedade em que insere, mas a sociedade de hoje, diverge negativamente da educação que se promove. As expectativas são assimetricamente desajustadas. Somos agentes desfasados de um mundo afundado no negativo, no desalento e no fracasso.

Muitas perguntas poderia colocar como se partissem da boca de um jovem. São muitas as incertezas e as dúvidas. Não espero respostas porque não pretendo demagogias. Espero e acredito na diferença que, em conjunto, possamos construir. Para que, antes da pergunta “que esperamos nós dos jovens?”, possamos responder ao que esperam os jovens de nós. Que tem Portugal, agora, para oferecer e que pode Portugal oferecer, em tempo útil, aos jovens do seu país?

 

Mudar o rumo das coisas e fazer de cada jovem um construtor activo, depende antes de mais, não daquilo que ele é, mas daquilo que pode ser. E aquilo que pode ser, depende em muito do que dele esperamos e do que lhe podemos proporcionar. Urge combater o desânimo com a adopção de medidas exequíveis, concretas e geradoras de sucesso.

Os jovens esperam muito de nós.

 

 

 

 


Desabafos de alemvirtual às 19:07
link do post | Deixe o seu comentário | ver comentários (1) | favorito
Terça-feira, 8 de Março de 2011

Dia 8 de Março (Mulher)

Sempre tive alguma dificuldade em aceitar "pacificamente" o Dia internacional da Mulher. Aceitá-lo é justificar a sua necessidade. Reconhecer que ainda existem sociedades, culturas e nações onde a mulher não existe na sua plenitude, nem dignificada na sua condição feminina. Nascer mulher é nascer maldita. Uma maldição que arrasta consigo mordaças na voz, mutilações no corpo, violações na alma. Nascer mulher é aceitar um destino traçado e escrito pela mão masculina do pai, do marido, da sociedade. Estão-lhe vedados os acessos à opinião e à crítica; à vida social e política; à participação e à interacção social e, quantas e quantas vezes, em quantos e quantos países, até à disposição do seu próprio corpo e dos seus afectos.

Por isso, celebrar o Dia Internacional da Mulher é juntar a nossa voz, a voz de PESSOAS livres,  às vozes caladas no mundo. Homens e mulheres, das ditas sociedades justas, das desenvolvidas e igualitárias, devem unir esforços e iniciativas para libertar quem vive em opressão.

Numa sociedade eminentemente machista, assente em princípios masculinos, onde a carácter do homem se "mede" pela capacidade de contrapor a vontade da mulher, onde a masculinidade se pesa no números de mulheres "conseguidas", é difícil fazer sentir seriamente a condição injusta de desigualdade que vive o género feminino. Este tema será tratado, sempre, de forma, mais ou menos, leviana; com uns laivos de seriedade porque, importa no momento, mostrar alguma complacência para com as "pobres coitadas".

Mas sem falar das sociedades que todos nós conhecemos como atrozes na violação dos direitos humanos e, nomeadamente, na violação dos direitos da mulher, enquanto cidadã de pleno direito, tal como o homem, ousemos falar daqueles problemas femininos, camuflados por uma capa de aparente igualdade.

Não, não falemos dos casos de sucesso, em que mulheres ascenderam por mérito próprio a lugares destacados na sociedade, nas estruturas políticas e governamentais, nas finanças, na vida militar, no desporto, na investigação, na cultura... Falemos antes daquelas mulheres, casos de sucesso pela sobrevivência diária, numa sociedade dita igualitária e tão fortemente machista. Deixemos de lado a exclusão que o género feminino só por si acarreta, agravado com a perspectiva da gravidez e da maternidade, a discriminação pela retribuição de serviço prestado, a crítica vexatória a que a mesma sociedade inflige. Séculos de uma imagem diminuída que não se reabilita em poucos anos.

 

Reflicta-se antes nas mulheres sem rosto e sem nome. Ousemos dar-lhe rosto. Ousemos dar-lhe nome. Ousemos dizer que, em cada uma delas, nos revemos todas nós. Eu ouso. 

 

Sou mulher. E assim me aceito. Aceito-me diferente de um homem. Não me aceito menos que um homem, nem mais. Diferente, apenas. Cada um de nós com as mesmas igualdades de oportunidade, de acesso e de sucesso. É assim que gosto de acreditar. Por mérito próprio alcançar o que me for permitido que seja. Ser interventiva, ser activa. Saber dizer "não" e não recear o "sim". 

Rebelo-me contra quotas e pseudo-favores do mesmo modo que me rebelo contra o silêncio em divergências familiares.

Sim, sou mulher. 

Na complexidade do ser, uma existência complexa.

 

 


Desabafos de alemvirtual às 12:19
link do post | Deixe o seu comentário | favorito
Quarta-feira, 2 de Março de 2011

Quietude

O silêncio não constrangia. Nem todos os silêncios calam angústias. Nem o silêncio, nem o facto de não existir ninguém ao redor. Já tinha sentido o peso da solidão, mesmo quando não estava só. Hoje, apesar da casa vazia e da rua deserta, sentia-se acompanhada.

Saiu para a varanda e sorriu à paz de espírito que a noite ampliava. Quando o bulício do dia termina, é altura de se encontrar consigo mesma. 

As palavras podiam pairar apenas no pensamento, podiam ganhar vida e serem ditas para alguém, ou simplesmente existirem no vazio de uma folha.

Nem uma só saiu dos lábios.

Deixou-se ficar ali, envolta na brisa nocturna e no adocicado da tranquilidade descoberta.

Talvez tivesse feito as pazes com a vida, ou reatado uma relação interrompida com o seu mundo interior.

O céu escuro parecia ocultar verdades que teimava em descobrir.

Sim, estava em paz com os seus sonhos. Os que embora amordaçados não se deixaram morrer. Esperaram tão somente a hora de se fazerem presentes. Sim, que os sonhos escrevem-se nas cores das palavras que se calam. Calam, mas existem. Têm voz e não se ouvem. Têm forma e não se vêem.

Ela sabia dos seus sonhos. Conhecia-os. Guardava-os. E não os iria partilhar. Por fim, libertava alguns que tinham permanecido amarrados. Como a coragem heróica de quem luta e se opõe. Como a esperança de quem antecipa triunfos.

Pacífica como os construtores de diálogos. Terna como mãe que acalenta. Sentia-se sem tempo, ou idade. Tinha erguido barreiras, agora derrubava muralhas. Sem armas, sem gritos, sem dores. Apenas sorrisos e paz. E diálogos mudos com palavras escritas em sonhos na intimidade de si.

Voltou as costas à noite e entrou em casa. Murmurou palavras de amor à quietude do ser.

Serena agarrou num bloco de papel amarelecido. E encheu folhas e folhas do mundo que era só seu. Por agora. Um dia, fariam parte do mundo de outro alguém. Um dia, levaria o seu mundo até àquele céu escuro, mas ficaria um rumo...

Agora não. Mas essa ponte seria atravessada.

Por isso, continuou escrevendo...

 

Todas as noites, edificava um pouco mais dos elos unindo margens.


Desabafos de alemvirtual às 21:11
link do post | Deixe o seu comentário | favorito

Pedaços de mim


Sou...

Outras almas amigas

. 10 seguidores

pesquisar

 

Janeiro 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
23
24
25

26
27
28
29
30
31


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Desabafos...

A minh´alma não é mais qu...

Zita

Silêncio da noite

Uma gaiola como tantas ou...

As minhas preocupações pa...

Missa em memória da Marga...

Memórias - Margot

Mais perto do céu

Mensagem para uma noiva

Quando a saudade bate

Outras páginas de vida...

Janeiro 2014

Março 2012

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

SAPO Blogs

subscrever feeds